domingo, 18 de outubro de 2009

VISITA À CASA DA AVÓ


Pelo terreiro vazio
assovio
uma canção amiga, antiga....
Antiga como o “eu”
que se perdeu
- conta deslocada de velho colar -.

Entrevistos meninos
franzinos
emersos de outros tempos
Lufadas de vento no telhado
telha vã acinzentada
Vó sentada...

A voz do Brasil: o acalanto
A prima: o encanto
Joanas, Zefas, Marias...
Tias.

Um menino chupa cana
e me chama
- Não posso, estou assoviando
uma canção amiga, antiga...
Antiga como o “eu”
que se perdeu
no tosco alpendre da meninice.

Aldenir Dantas

Foto: Sítio Riacho Fechado, Coronel Ezequiel

3 comentários:

Anônimo disse...

São as sombras do passado,que nos assusta,que nos alenta,esssa visão, misto de poesia,de doçura de uma saudade que chega a doer... vejo-a assim como uma canção antiga...um sonho que se perdeu no frio concreto da globalização.
Quanto mais mi embrenho neste universo chamado Aldenir,mais mi supreendo com sua autenticidade,a sua maneira objetiva de não se deixar contaminar e permanecer este encanto/acalanto para seres tão áridos como...EU

Anônimo disse...

meu caro Aldenir,

eu tive o privilégio de nascer e crescer num lugar assim;encatador ,e digo mais; que em muito se parece a casa da sua vó, com á antiga do meu pai.Sou grata á você por estar exaltando as belezas da vida campestre e da natureza, e conhecendo você... rsrs, tentar resgatar sentimentos corroidos pelo "progresso" ao postar uma foto tão singela de impacto tão consistente...valeu, mesmo.Só tenho á agradecer
á sua existencia, e que toda esa beleza que existe em vc, não morra nunca.

Willian Pinheiro Galvão disse...

Olá Aldenir,
não é poesia, tampouco prosa (digo de qualidade!) mas é nossa contribuição à historiografia curraisnovense - www.documentacn.blogspot.com

um anç.

Willian Pinheiro

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